Escrita profissional e a reflexão do professor

Final de ano chegando, mais um ciclo se fechando e, com ele, muitas são as reflexões possíveis. Enquanto professores, pensar é sempre necessário. Para nos ajudar nesse processo, dispomos de uma excelente ferramenta: a escrita profissional.  Ela pode ser entendida como registros de nosso trabalho.

A escrita profissional e a reflexão do professor andam juntas. Fazer registros sobre nossas práticas em sala de aula – registros estes que, como veremos abaixo, são os mais variados possíveis – só vai nos ajudar em nosso aperfeiçoamento docente. “Mas eu não gosto de escrever”, “Não tenho tempo para isso”, “Não tenho habilidade para passar para o papel o que aconteceu em aula”. Calma! Veremos, juntos, que os registros e nossas reflexões podem ser muito facilitados.

Os diferentes instrumentos da escrita profissional

Os registros de nosso trabalho se dão por variados meios. Os planos de aula, que fazemos rotineiramente, são relevantes em nossas reflexões sobre os caminhos que percorremos em nossos processos de ensino. Se analisados em conjunto aos documentos oficiais e a Proposta Pedagógica da escola, podemos verificar onde, exatamente, devemos promover mudanças e onde avanços importantes já foram obtidos.

Para além dos planos de aula, os registros de classe nos dão a possibilidade de olhar para outros aspectos de nossa realidade profissional. Tais registros englobam diários; apontamentos; relatórios; fotografias; áudio e vídeo. Embora não sejam obrigatórios, como os planos de aula, todos são ricas fontes de reflexão para o professor.

Diários

Consistem, basicamente, em registrarmos, seja em um caderno, arquivo de computador ou portfólio, o que aconteceu em nossa aula. Para isso, descrevemos os objetivos que pretendíamos atingir, narramos como a aula aconteceu, transcrevemos falas ou situações ilustrativas de um ponto que queremos evidenciar, etc.

Nesta vertente da escrita profissional, a reflexão do professor é facilitada quando ele também deixa transparecer o que sentiu no decorrer daquele dia de trabalho. Esclarecer, para nós mesmos, o que sentimos, bem como tentar descobrir as raízes dos sentimentos vivenciados, é terapêutico. Ajuda-nos a entender nossos pensamentos, palavras e ações, além de superar barreiras que necessitam ser transcendidas.

Relatórios

Este recurso é bastante utilizado na Educação Infantil, onde a avaliação do desenvolvimento das crianças se dá pela escrita de relatórios. Ele também está significativamente presente na avaliação de alunos que apresentam algum tipo de deficiência. Para que os relatórios sejam, de fato, mais representativos dos desafios, avanços e intervenções experienciadas ao longo de um período letivo, registros frequentes devem ser feitos.

Assim, é imprescindível ter um caderno ou agenda à mão. Fazer apontamentos de tudo o que achar significativo. Tomar uma folha para cada discente. Colar atividades que se destacaram por sua importância ou excelência no resultado. Essas e outras ações contribuirão para a elaboração da memória do vivido por cada sujeito e cada grupo.

Arquivos em áudio, fotos ou vídeos

Estamos cada vez mais mergulhados no universo digital e tecnológico. As Novas Tecnologias da Informação e Comunicação estão presentes fora e dentro da escola. Pensar, sistematizar e levar a sério o ensino dos vários usos dos indispensáveis aparelhos, programas e aplicativos trazidos pelos avanços da tecnologia, configuram-se em competências dos professores do século XXI.

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Nós, docentes, temos muito o que aprender com as constantes inovações que nos deparamos. Trazer as potencialidades dos celulares, câmeras, tablets e notebooks para a nossa escrita profissional, pode nos dotar de registros cada vez mais complexos, multifacetados, inter-relacionados e, portanto, significativos em reflexão. Sempre estamos com algum desses equipamentos por perto. Por que não utilizá-los em prol do crescimento do nosso trabalho em sala de aula?

Neste vídeo, produzido pela Nova Escola e disponibilizado pelo canal da revista no YouTube, André Carrieri, André Spinola e  Bruno Mazzoco, especialistas em fotografia ou vídeo, dão dicas para você tornar os registros pedagógicos de sua sala de aula cada vez melhores. Vale a pena conferir!

Destino dos registros

Depois dos registros feitos, que fim devemos dar-lhes? O seu fim maior, evidentemente: fonte de pesquisa. Através da escrita profissional podemos nos autoavaliar, avaliar a escola e a rede de ensino na qual desenvolvemos nossa docência, apontando novas demandas e buscando parceiros para a conquista de soluções. Nossos planos de aula, diários, relatórios, arquivos em áudio, foto ou vídeo nos fornecem matéria-prima de qualidade para os ininterruptos e conectados processos da educação intencional: planejamento, execução e avaliação do ensino ministrado.

Gostou do tema desse post? Você costuma fazer registros da sua prática em sala de aula? Que destino você dá a eles? Conta pra gente nos comentários.

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