A educação em países desenvolvidos

Sempre quis conhecer a educação em países desenvolvidos? Eu também. Não são raras as vezes em que penso nas concepções educativas de outras nações, seus modos de organização escolar e e em suas escolhas pedagógicas e políticas, nas quais se vê o trato da educação como uma real prioridade.

Além de pesquisas de textos sobre a educação em países desenvolvidos, há séries e documentários que podem lhe ajudar a ter uma bela noção do quanto nós, brasileiros, ainda temos de progredir em nossas instituições escolares. Hoje, especificamente, vou dar a referência de uma série que gostei bastante. Seu nome: Destino Educação.

Disponível no site do Canal Futura e no YouTube, ela nos mostra a realidade educacional de seis países e seus resultados na Avaliação PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), exame organizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O PISA avalia o rendimento de estudantes de 15 anos em Leitura, Matemática e Ciências, áreas do conhecimento fundamentais para a inserção autônoma e criativa nas sociedades modernas, cada vez mais dotadas de informação, conhecimento, saberes, competitividade e globalização.

O que a série Destino Educação nos mostra acerca da educação em países desenvolvidos?

Os seis países ou províncias apresentadas são: Xangai; Finlândia; Coreia do Sul; Canadá; Chile (incluído na lista por ser o primeiro da América Latina no ranking da avaliação) e Brasil. Com essas escolhas, conseguimos ter uma rápida imersão sobre parte da educação formal oferecida nos continentes asiático, europeu e americano.

Conhecendo as características dos sistemas mencionados, as histórias de vida de alguns estudantes e o modo de pensar daqueles que atuam diretamente na área (pesquisadores, dirigentes, professores e pais, ficam nítidas as diferenças existentes entre eles (Xangai, Finlândia, Coreia do Sul, Canadá e Chile) e nós (Brasil), entre a escola pública “eficiente” e “deficiente”, entre a educação dos países em desenvolvimento e a educação em países desenvolvidos.

Em primeiro lugar, de modo geral, estes países oportunizam mais tempo na escola para os estudantes. Isso favorece a consolidação de conhecimentos mais tradicionais (as matérias escolares obrigatórias), além de ser uma oportunidade para a construção de saberes outros (Teatro, Dança, etc). No Brasil, temos apenas quatro horas diárias de aula e não acompanhamos mais de perto, seja em termos estatais ou familiares, as crianças e jovens que apresentam maiores dificuldades advindas ou de transtornos da aprendizagem ou de deficiências.

 E o papel dos professores?

Os docentes da educação básica também apresentam uma formação mais extensa e sintonizada com a prática escolar e do ensino/mediação. Nesses países, com exceção do Chile, que ainda está caminhando em sua política de valorização do magistério, há um percentual importante dos melhores alunos da escola atraídos para a docência. Sabemos que, em nosso país, nosso contexto é outro. Há um desencanto quase que geral com o magistério.

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Em tais realidades, os professores, se não valorizados em termos econômicos – comparados às demais profissões – gozam de respeito e status social, o que existia em nosso país apenas até a primeira metade do século XX. De lá para cá, nosso prestígio perante à sociedade e nossa média salarial sofreram brutas quedas.

A partir da criação da Lei do Piso, em 2008, e da meta 17 do Plano Nacional de Educação (2014- 2024), que prevê a valorização dos profissionais do magistério das redes públicas de educação básica, equiparando seu salário médio ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente, as esperanças se acenderam. Contudo, com a diretriz de teto de gastos do governo Temer, as perspectivas para os serviços públicos brasileiros não são as melhores.

Da década de 1960 para cá, apesar de avanços quantitativos e qualitativos na educação brasileira, especialmente na última década, a qualidade do ensino público, de modo geral, decresceu e o trabalho docente foi proletarizado (FERREIRA JR; BITTAR, 2006).

Além do descaso das autoridades, enfrentamos a falta de cultura familiar em acompanhar os estudos de seus pupilos. Não aprendemos a fazer esse acompanhamento, já que não o tivemos, por isso, não o fazemos. Xangai, Finlândia, Coreia do Sul, Canadá e Chile usufruem de apoio e incentivos familiares, esforço dos estudantes (traduzidos pela quantidade de horas que estes estudam em casa), e o mais importante: compreensão social quanto à imprescindível tarefa de educar. A educação em países desenvolvidos conta com base.

Para fechar…

Assistir aos sete episódios dessa série, todos disponíveis neste artigo, faz-nos perceber as responsabilidades que o Estado Brasileiro, através do ensino escolar com experiências, vivências e aprendizados significativos, deveria tomar de uma vez por todas para si. Somos nós, enquanto profissionais da educação, que carregamos os anseios, ainda não satisfeitos, de bilhões de pessoas por mais humanidade, conhecimento e progresso.

Ficou curioso pra assistir à série? Mergulhe já em outras realidades educacionais e culturais! E não esqueça de nos contar o que achou. Aguardamos seus comentários.

Referência

FERREIRA JR., Amarilio; BITTAR, Marisa. A ditadura militar e a proletarização dos professores. Educ. Soc. Campinas, v. 27, n. 97, p. 1159 – 1179, set./dez. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v27n97/a05v2797.pdf. Acesso em: 26 fev. 2015.

Fonte da imagem

br.freekip.com

 

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