Avaliar a aprendizagem dos alunos: alguns encaminhamentos

Avaliar a aprendizagem dos alunos: alguns encaminhamentos

Avaliar a aprendizagem é uma das responsabilidades docentes que mais se complexificou nas últimas décadas. Enquanto professores reflexivos, é importante atentar para as mudanças de perspectivas e práticas. Devemos conhecê-las e nos posicionar diante dos seus significados.

Até 1930, a escola praticava a verificação da aprendizagem. Através dos exames escolares, apenas tomávamos ciência do que os estudantes sabiam e não sabiam. Quando começamos as tentativas de avaliar, iniciadas no Brasil a partir de 1970, passou-se ao objetivo de intervir nas situações em que a aprendizagem tenha se mostrado insatisfatória.

Esta é a diferença crucial entre a verificação e avaliação da aprendizagem. Enquanto, na primeira, os resultados são registrados no diário de classe, e os alunos classificados (entre maus, regulares e bons), na segunda, decide-se trabalhar com as dificuldades discentes para que os alunos, de fato, adquiram conhecimento.

Luckesi (2011, p. 53) resume a distinção entre verificar e avaliar da seguinte forma:

“A avaliação, diferentemente da verificação, envolve um ato que ultrapassa a obtenção da configuração do objeto, exigindo decisão do que fazer ante ou com ele. A verificação é uma ação que “congela” o objeto; a avaliação, por sua vez, direciona o objeto numa trilha dinâmica de ação”.

Diante dessa introdução, o que podemos fazer para superar a verificação da aprendizagem?

Compreenda o que significa avaliar a aprendizagem

Este é o primeiro passo. Compreenda a diferença existente entre um ato e outro. Depois, observe: o que a sua escola, seus colegas e você praticam se encaixa em qual definição? Eu, por exemplo, tenho a seguinte leitura de meu trabalho: percebo que muitos pares ainda não têm o conhecimento da tomada de decisão que a avaliação exige.

Isso, pela minha experiência, não acontece apenas porque o professor não quer retomar um conteúdo para que seus alunos aprendam. Na verdade, não temos muito tempo para isso. O cumprimento de nosso extenso programa curricular é tido como mais relevante pelas secretarias de ensino e, consequentemente, direção escolar.

Defina o que vai ser avaliado

Essa definição deve ser realizada em conjunto. Quais são os conteúdos imprescindíveis para a inserção social satisfatória dos aprendizes em nosso meio cultural e econômico? A partir dessa definição, priorizaremos, em nosso trabalho, as mediações necessárias para o  seu aprendizado. Serão estes os norteadores na construção dos nossos instrumentos avaliativos.

Esse planejamento curricular requer, a priori, o projeto político e pedagógico da instituição educativa. A partir de todas as definições que lá devem constar, como concepção de educação, de sociedade que se deseja, de conhecimento e de processos de ensinagem e aprendizagem, traçaremos os objetivos que a escola deve perseguir. Isso lançará luzes sobre o planejamento de ensino de todos os professores.

Pratique a autoavaliação e a incentive entre seus alunos

Dedicamo-nos com mais afinco aos nossos estudos quando, primeiramente, somos mobilizados a conhecer. Isso significa que precisamos ver sentido em nossa dedicação. Precisamos visualizar os ganhos, preferencialmente não materiais, que o aprendizado nos traz.

“Não entendi o ‘preferencialmente não materiais'”. Bem, conhecer expande nossas perspectivas de vida, nossa compreensão sobre o mundo e pode nos tornar seres humanos melhores, em todos os sentidos. Encarar o ato de estudar apenas como um modo de melhorar de vida é por demais limitado.

Nessa perspectiva, avaliar nossas atitudes perante as ações de ensinar e aprender nos auxiliar a relembrar que somos nós os protagonistas de nossas vidas, bem como os maiores responsáveis por nosso aprendizado. É preciso envolver-se.

Avalie todos os aspectos que interferem na aprendizagem

Avaliar a aprendizagem dos alunos: alguns encaminhamentos
Conhecer todas as dimensões que envolvem a aprendizagem pode lhe ajudar a definir suas intervenções

Mais uma tarefa que precisa ser realizada em conjunto. Sabemos que a construção de conhecimentos é envolvida por inúmeros fatores: individuais, familiares, sociais, políticos, administrativos, escolares, pedagógicos, etc. Devemos avaliar cada um deles. 

Sou muito crítica aos extremos que proclamam que “a escola não pode fazer nada, se o aluno não aprende” e que “a culpa é da escola, que não ensina”. Enquanto professora, sei que, com a ajuda de meus pares, muito pode ser feito. Contudo, há casos, e creio que estes sejam a maioria, em que há um grande trabalho a ser feito com as demais instituições da sociedade. Educar não é tarefa exclusiva da escola.

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Por fim, não esqueça: alunos diversos, objetivos diferentes

Cada dia mais nos deparamos com a diversidade nas escolas e nas ruas. Essa mudança de paradigma deve constar em nossas práticas avaliativas. Diante de alunos com deficiências, transtornos (dislexia, discalculia, disgrafia, disortografia, distúrbio do processamento auditivo central e TDAH) e dificuldades de aprendizagem, os objetivos de aprendizagem devem ser personalizados.

Tal prática nos fará visualizar com maior nitidez os avanços de cada discente, que deve ser comunicado com frequência aos próprios aprendizes e a seus responsáveis. Precisamos ter um feedback de nossos esforços. É preciso ter a consciência de que estamos avançando.

Gostou do artigo? Deixe suas contribuições nos comentários. Que outras dicas você pode nos dar para avaliar a aprendizagem?

Referência:

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

Fonte das imagens:

http://www.freepik.com.

 

 

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